Na próxima segunda-feira, 16 de setembro, a cidade de Frankfurt receberá mais uma edição do Festival Internacional de Teatro de Mulheres, sob a direção artística da pedagoga, coreógrafa e ativista Barbara Luci Carvalho. Vozes da Diáspora expressa profunda admiração e respeito pelo trabalho de Bárbara, que, ao longo dos anos, tem promovido um diálogo entre diversas formas de arte e expressão, enaltecendo a força e a presença cultural das mulheres, especialmente no teatro e na performance.

Este ano, o festival destaca uma programação feminista afro-diaspórica. A atriz e Yalorixá Alba Dara Bi, em sua turnê pela Europa, estará presente com duas atividades: a oficina “O Canto das Yabás” e o simpósio anual com o tema “Safer Spaces – The Feminist Culture of Peace”.

O coletivo Transatlânticas — formado por Ana Graça Correia Wittkoviski, Barbara Luci Carvalho, Betânia Ramos Schröder, Rejane Maria Stuntebeck e Tainá Wittkoviski — encenará mais uma vez a performance “Corpos D’Água” no Ateliê Diáspora e oferecerá a oficina “Black Feminism”, em colaboração com mãe Alba Darabi.

Além disso, o festival contará com a presença honrosa da renomada atriz e diretora @barbara.kuringa, criadora do Teatro das Oprimidas, que exibirá seu filme “Ash Wednesday”, ministrará a oficina “Feminist Aesthetics” e participará do simpósio. Para encerrar, teremos a aguardada leitura do livro “Issa”, da vereadora, atriz e ativista Mirriane Mahn.

Projetos como este, idealizados por uma mulher negra, migrante e com uma visão profundamente transformadora, são essenciais para fortalecer vozes historicamente marginalizadas. Através de iniciativas como o Festival, Barbara e sua equipe têm ampliado espaços de expressão, promovendo uma cultura feminista mais inclusiva e diversa, que ultrapassa fronteiras. É crucial que trabalhos como esse sejam reconhecidos e apoiados, pois eles não apenas enriquecem o cenário cultural, mas também impulsionam a luta por equidade e justiça social, dando visibilidade às narrativas de mulheres negras em nível global.

Boas Vindas ao Festival pela sua diretora Bárbara Luci Carvalho e equipe do Festival

“Temos o prazer de dar as boas-vindas a todos ao Festival Internacional de Teatro de Mulheres* (IF*TF) em Frankfurt am Main! Em 2024, o IF*TF será realizado pela oitava vez consecutiva no estado de Hessen, e este ano nos propomos a explorar a questão dos “Espaços Seguros” para o trabalho sustentável de mulheres*.

Nosso objetivo não é excluir pessoas para criar segurança individual, nem estabelecer espaços permanentemente exclusivos para garantir a segurança de outros. Pelo contrário, buscamos criar uma base para uma cultura feminista de paz, que integre a diversidade e o respeito às nossas diferenças e que prospere pela participação de todos.

Queremos encorajar nossos visitantes a refletirem sobre como podem agir como co-criadores de um espaço seguro. Um espaço em que mulheres* e meninas* se sintam fortalecidas para se expressar de forma autêntica em processos coletivos – um espaço de coragem.

Junto com artistas internacionais do teatro, performance, vídeo, artes visuais e música, buscamos momentos de diálogo intergeracional que sejam radicais e utópicos, que curem, inspirem e promovam mais confiança e reconhecimento para o trabalho das mulheres*. Como vítimas de violência na sociedade, mulheres* e meninas* têm uma voz crucial na construção de uma cultura de paz.

Como artistas independentes, nossa prática gira em torno da criatividade, da capacidade de moldar e transformar. Por isso, a questão da transformação e inovação está sempre presente em nosso trabalho. Este ano, dedicamos especial atenção ao diálogo entre o feminismo negro e as artes performáticas, em conexão com o tema da cultura de paz.

O IF*TF, em um diálogo feminista intergeracional entre teatro e política, coloca ênfase na posição das mulheres* no mundo, dentro do trabalho da Protagon e.V. Desde sua fundação, o festival se dedica à visibilidade do feminismo nas artes cênicas, oferecendo uma plataforma para essa discussão, e visa, no futuro, ser um espaço pioneiro para experimentar práticas feministas.

No IF*TF 2024, vocês estão convidados a fazer perguntas, participar de performances e desenvolver visões futuras para os palcos de teatro!

Desejo a todos nós um festival poderoso, pacífico e solidário!”

– Bárbara Luci Carvalho, diretora artística & a equipe do IF*TF

Programação

1.Workshops

Canções afro-brasileiras e o feminismo negro

Com: Alba Cristina Soares (Ya Darabi) e Coletivo Transatlânticas: Ana Graça Correia Wittkowski, Bárbara Luci Carvalho, Betânia Ramos Schröder e Tainá Correia Wittkowski

Data:  20.09.2024

Horário:  10-13h

Ateliê Diáspora

A oficina oferece duas experiências especiais: Em primeiro lugar, Ya Darabi apresentará aos participantes o fascinante mundo da música popular brasileira, que é transmitida pela tradição oral nas famílias, comunidades, aldeias, quilombolas e comunidades de candomblé. Juntos, vamos cantar, dançar e vivenciar o samba de roda, o maracatu e os cantos das lavadeiras e dos orikins. Esses cantos contam as histórias de quem muitas vezes não é ouvido, mas tem muito a dizer. Na segunda parte da oficina, o coletivo Transatlânticas, fundado pela diretora artística do Festival Internacional de Teatro Feminino, Bárbara Luci Carvalho, criará um espaço de reflexão e experiências criativas. Aqui mergulhamos no feminismo afro-brasileiro e exploramos as suas diversas formas de expressão nas artes cénicas, na literatura e nas tradições ancestrais. Juntas, celebramos essa riqueza cultural e deixamos nossas vozes ressoarem poderosamente.

Estética feminista

Com: Barbara Santos Kuringa

Data:  20.09.2024

Horário:  10-13h

Locaal: Groove Dance Studio

 Este workshop introduz um método de teatro dedicado à representação da opressão na intersecção de género, raça e classe a partir de uma perspectiva estrutural. O nosso objetivo é reestruturar a perceção da opressão e a responsabilidade pela mudança, evitando as armadilhas da individualização do problema e da culpabilização das pessoas afetadas. Trabalharemos com um repertório de exercícios, jogos e técnicas originais do Teatro de das Oprimidas (Teatro Feminista do Oprimido), aplicando a estética feminista numa perspectiva antirracista, decolonial e comunitária. O workshop está aberto a qualquer pessoa interessada em ferramentas estéticas para ultrapassar o patriarcado.

2. Teatro e espetáculo

RITUAL DE ABERTURA com música africana ao vivo

Com: Alba Cristina Soares (YaDarabi), Stephanie Bangoura e Massa Dembele

Data:  16.09.2024

Horário:  16h30

Local: KULTURGELÄNDE PROTAGON

           Orber Straße 57, 60386 Frankfurt am Main

Alba Cristina Soares, Stephanie Bangoura e Massa Dembele abrem o festival de teatro feminino* com dança e música africana ao vivo (kora e djembe).  Como é habitual nas tradições indígenas, Stephanie utiliza a dança e a música no ritual como uma arte do encontro. Um encontro com tudo o que existe. Juntas queremos sintonizar-nos num festival cheio de histórias, talentos, força e sabedoria das mulheres*. Que os antepassados nos apoiem! AXE!

Corpos D’água

Colaboração com: Ana Graça Correia Wittkowski, Betânia Ramos Schröder, Silvana Carvalho da Fonseca, Rejane Stuntebeck

Textos: Bárbara Luci Carvalho, Nora Amin, Betânia Ramos Schröder

Design/Costumes: Nós Macramê – Cássio Caiazzo e Erick Simões

Palco: Bernhard Bub

Financiador e (co)produtores: HessischeTheaterakademie, antagon theatre AKTion, protagon e.V., Idioma: Inglês, Português

Data:  19.09.2024

Horário: 19h

Local: ATELIER DIASPORA

          Orber Straße 24, 60386 Frankfurt am Main

“A cor dos olhos de minha mãe era cor de olhos d’água – a cor dos olhos de minha mãe era a cor da água”. Conceição Evaristo O movimento dos rios, o ritmo das marés e os ciclos de abundância e escassez de água são o ponto de partida deste espetáculo. A coreografia baseia-se na escuta das experiências históricas e estéticas das mulheres negras* em fuga, num formato participativo de percepção, diálogo, silêncio e apelo ao fim da violência contra as mulheres*. Convida-nos a refletir sobre o processo de cura do corpo a partir de uma perspectiva feminista negra que emergiu dos movimentos políticos no Nordeste do Brasil.

Performance e conceção: Bárbara Luci Carvalho

Filme “ASH WEDNESDAY”

Com: exibição e sessão de perguntas e respostas com a diretpora Bárbara Santos

Data:  19.09.2024

Horário: 21h

Local: INDOOR BÜHNE PROTAGON

Numa favela do Rio de Janeiro, o último dia de carnaval está a chegar ao fim. Os trinta anos de presença das forças armadas são uma companhia constante no quotidiano, e os tiros são ouvidos repetidamente. Demétria espera sua filha Cora chegar da escola. Entretanto, um ataque brutal tem lugar no seu bairro. À medida que a noite cai e Demétria se agarra à esperança, cada vez mais ténue, de encontrar a filha, recebe a visita de três pessoas: um polícia, o padre local e o governador do estado. Cada um deles desempenha um papel diferente na guerra aparentemente interminável entre o homem e os militares.

tchau chão

Data:  20.09.2024

Horário:  20h

Local: KULTURGELÄNDE PROTAGON

           Orber Straße 57, 60386 Frankfurt am Main

Uma leitura encenada por uma mãe e uma filha que se interrogam sobre o que resta depois da morte da sua (avó) mãe. Três Uma leitura encenada por uma mãe e uma filha que se interrogam sobre o que resta depois da morte da sua (avó) mãe. Três gerações de mulheres, cada uma nascida num continente diferente. Uma viagem através do corpo de uma família à procura de um lugar comum entre a Ásia, a Europa e as Américas. Como se lida com a semelhança e a estrangeiridade e como se curam traumas herdados? Uma exploração pessoal, mas também política da identidade e da origem – e uma sessão espírita com familiares mortos. Performance, texto e conceito: Marina Ludemann e Nina DeLudemann; Outside Eye: Sven Rausch; na assistência: Lina Ludemann (Schunadel) e Le Thi Hai https://de-ludemann.com/ https://www.instagram.com/ninadeludemann/ Idioma: alemão, português, inglês

RODA de Capoeira mit Frauen*

Com: Associação de Capoeira Angola Dobrada Frankfurt e.V.

Data:  22.09.2024

Horário:  17h

Local:

A capoeira é uma arte marcial afro-brasileira que combina o controlo do corpo, a dança e o jogo com o ritmo, a música e o canto. É como um diálogo entre dois jogadores, mas não com palavras, mas com movimentos de ataque, defesa e engano. Os escravizados no Brasil desenvolveram esta técnica de luta única para se defenderem dos seus opressores, que os atacavam dançando. Um belo jogo é o “jogo de Angola”, como é chamado numa canção que é cantada durante a roda. Os movimentos da Capoeira Angola são lentos e fluidos, treinando a disciplina mental e física, o respeito pelos outros e a arte de lutar com um sorriso. Para a IFTF 2024, Doro da Associação de Capoeira Angola Dobrada Frankfurt e.V. convida todas as mulheres de grupos de capoeira de todos os estilos da região do Reno-Meno para a Roda de Capoeira Angola.

3. Symposium

O simpósio deste ano contará com convidadas internacionais e locais que falarão sobre as suas experiências e reflexões sobre o reforço do papel das mulheres* na arte, na cultura e na política. Com base no tema “ESPAÇOS MAIS SEGUROS – A Cultura Feminista da Paz”, vamos encetar um diálogo feminista entre teatro, arte e política no ano 2024, quando a exclusão, a guerra e o sexismo ainda nos limitam, em busca de impulsos para um palco radicalmente utópico.

Queremos conhecer novos métodos que abalam as estruturas do velho palco e questionam fundamentalmente o processo de fazer teatro até à data. E queremos descobrir em que pontos as mudanças que começam no palco têm um impacto na sociedade e marcam assim o início de uma mudança maior. Porque um futuro inclusivo só é possível em conjunto! O foco da discussão é a troca entre diferentes gerações sobre experiências com o palco como um espaço performativo para uma utopia de paz antirracista, queer e eco-feminista. Queremos aprender mais sobre as tecnologias feministas para lidar com conflitos em diferentes contextos culturais e permitir que os oradores adquiram uma nova perspetiva sobre a sua própria prática política através do intercâmbio e da reflexão conjunta. Neste sentido, o 8º simpósio é o ponto alto do debate do nosso festival até à data. Tal como nos anos anteriores, continuamos a procurar formas de mudar a narrativa patriarcal e eurocêntrica do fazer teatral, respondendo a uma variedade de vozes feministas e construindo coletivamente ligações de solidariedade.

O tema de trabalho atual reflete em conjunto sobre uma visão feminista da paz e como esta pode ser concretizada de acordo com determinados critérios. Centrando-se na autodefinição do seu próprio trabalho artístico, o Festival Internacional de Teatro* de Mulheres 2024 aborda as seguintes questões que estratégia ou metodologia artística desenvolveram as mulheres* nos últimos anos para criar um ambiente de trabalho não violento?  Como é que os artistas lidam com o conflito e a violência social?  Como podemos ser cocriadoras de um espaço que seja “seguro para” (e não apenas “seguro de”), onde as mulheres* e as raparigas* se sintam capacitadas para se expressarem autenticamente? Como é que os realizadores, escritores e atores criam um futuro de solidariedade e segurança para outras mulheres*?

Ana Woolf (Theatermacherin, The Magdalena Project)

Alba Cristina Soares-Ya Darabi (Künstlerin und Yalorixá )

Bárbara Luci Carvalho (Künstlerische Leiterin des IF*TF, protagon e.V.)

Bárbara Santos (Theater- und Filmregisseurin, Kuringa)

Betânia Ramos Schröder (Fotojournalistin, Soziologin und Herausgeberin)

Helen  Varley  Jamieson (Theatermacherin und Digital Artist, The Magdalena Project)

Isabelle Maurel (Choreografin und Tänzerin, The Magdalena Project)

Isriela Bushkola (Geschäftsführerin Büro für Staatsbürgerliche Frauenarbeit e. V.)

Ivana Milenović Popović  e Milica Petrović (Theatermacherinnen, DAH-Theater)

Lorena Valdenegro (Theatermacherin, AQUItheater Berlin)

Patricia Ariza (Direktorin Teatro La Candelaria)

Sophie Osen Akhibi (ADAN e.V.)

Viviana Bovino  (Theatermacherin, The Magdalena Project)

PhD Sofia Varino, Paulina Rivera, Milica Labaš (Minor Cosmopolitanisms – Universität Potsdam)

Tainá Correia Wittkowski (Übersetzerin)

4.Pandora’s Box

A “Caixa de Pandora” é o contentor feminista do festival, no qual são exibidos filmes e instalações de vídeo de artistas internacionais. Criada como um local de documentação e de confronto com a realidade artística durante os confinamentos do Corona, a “Caixa de Pandora” entra agora no seu quinto ano sob o tema “ESPAÇOS MAIS SEGUROS – A Cultura Feminista da Paz”. Estás pronto para explorar o seu conteúdo? Então suba os degraus da sua parede de lata, siga a brisa que move a entrada e entre num espaço entre a ficção e a realidade. Depois de uma exploração inicial dos vários diálogos sobre paz e conflito, bem como de outros confrontos na sala, pode sentar-se em cadeiras confortáveis e ficar, olhar, perguntar e maravilhar-se enquanto os presentes da “Caixa de Pandora” o mantiverem sob o seu feitiço. Com curadoria de Edith van den Elzen

Barbara Santos – ASH WEDNESDAY (Aschermittwoch)

Cecília Amado – All the Girls from Bahia (Alle Mädchen aus Bahia)

Silvana Sarti – Ondas Longuinquas (Langatmige Wellen)

Deixe um comentário

Tendência