Rejane Maria Stuntebeck

Mulher Preta, Educadora, filha, mãe, esposa,

Enfim eu…

É um 8 de março um tanto de tantos outros diferente. Mas é um tanto outro diferente, pois tem tantas outras mulheres lutando por uma sociedade fraterna, justa e solidária, com direitos e igualdades respeitadas.

…É diferente porque tem nós; daí, não vou ficar de fora junto com as minhas irmãs, porque tem nós, as „Mulheres Pretas“.

Foi assim desde sempre, com a minha mãe Edite Pires, (in Memória) que com a sua sabedoria Ancestral, me impulsionou e jogou-me na luta; e com tantas outras mulheres, que como mãe, as adotei na minha vida. A exemplo D. Maria Alcides, (minha madrinha de Crisma)in Memoriam; que me foi Fortaleza no período de escola em Pacatuba , e de Edite Silva, Mulher Negra de 90 anos das CEBs de Fortaleza e do Partido dos Trabalhadores, que é minha referência de vida na luta em toda minha vida. Que continua firme na luta política e de uma fé engajada com a vida. A tia Edite, o meu Carinho, Afeto e gratidão.

É diferente por que estamos além fronteiras, fazendo às construções de vida Transatlântica, fazendo valer as nossas vidas, nossa cultura, defendendo a vida e nos reafirmando no que somos, fazendo-nos  ser reconhecidas como potência de luta, e trazendo o valor e força da nossa Ancestralidade. Somos mulheres vindas da nossa Mãe África.

É diferente porque estamos nas Escolas, Praças, Universidades, contando a história que nunca foi contada.

…É diferente por que nós mulheres Pretas estamos tecendo fios de construção de um mundo diferente, construindo a partir do nosso lugar, respeitando os nossos caminhas já percorridos, e as e os que vieram antes de nós, e os que virão depois; um mundo de Afetos, de construções coletivas como sempre foi a nossa Ancestralidade. Nós estamos nos fazendo visíveis, e queremos ser ,e somos estas construções coletivas de Amor e ternura. Ternura visível em cada ato nosso, de pensar, rezar, cozinhar, estudar, trabalhar a terra, as Artes, tudo em nós reverberados o Amor.

…É diferente, porque a minha Irmã Ana Graça Wittkoviski, com o seu escrito, do mês de janeiro do Vozes da Diásporas: “A Praça e do Povo. Mas quem é este povo? “

Ana Graça, irmã teu Texto nos convoca a estar presente, ser Presença na construção da vida e de Amor Nesta Sociedade aqui na Alemanha. Este povo, somos nós, os Migrantes, os refugiados, „os pequenos de Meu Deus nesta vida „como dizia minha mãe Edite Pires(Memória).

…É diferente porque a gente tem a coragem de assumir o nosso Papel como Protagonistas da nossa história, pois estamos nas trincheiras fazendo a vida e o Amor Acontecer, como fala Bell Hooks.

…Nós estamos fazendo o Amor acontecer, nas Creches(Ana Graça e Dorinha Andrade) Nas Escolas (Rejane Stuntebeck, Dorinha Andrade, Ana Claudia König); nas Artes Cênicas Teatro e outros com( Barbara Lucci) nas Universidades com a nossa( Irmã Betânia Ramos Schröder e Ana Graça)hospitais com tantas mulheres migrantes, com a  Alegria do Afoxé e Maracatu com (Betania Kohler), com o Encantamento da Arte e Poesia de Terezinha Malaquias, que fala de Amor e de Amar com tanta força Ancestral.          

Com a luta e defesa da vida e sabor das comidas Ancestrais de Sandra Belo, sem deixar de fora, e acentuar com toda a nossa Fortaleza, a grande Socióloga e Ativistas dos Direitos Humanos e Ativista Política e Mãe, a nossa Betânia Ramos Schröder, que a maior incentivadora da luta e fortalecimento da Articulação do Povo Preto aqui em Frankfurt; e de Delaine Kühn , advogada e ativista política e vereadora do estado de Hannover, da luta das mulheres da IMBRADIVA a mais de 30 anos defendo o ser mulher aqui na Alemanha.

…Enfim é diferente este 8 de março, por que nós fazemos a diferença nas construções da vida coletiva.  „Eu sou porque nós somos “.

São muitos nomes a ser citados, perdão aos que não estão aqui, mas sintam-se representadas, pois estes nomes fazem a nossa história…e isso reverbero. É necessário que nós reconheçamos como está força libertadora.

…É por nós mulheres em especial, nós  as pretas, que este dia e vivido e celebrado , esta luta nós não a inventamos, mas veio com as nossas antecessoras: Mães, Avós, tias, e tantas mulheres como Dandara, Anastácia, Marielle Franco, Carolina Maria De Jesus, Bel Hooks ( im memória)  e de tantas presentes entre nós, como Silvany Euclenio, Eliete Paraguassu, Sueli Carneiro, Ana Selma,  Angelita Maciel, Djamila Ribeiro, Conceição Evaristo, Jo Gentil, Cristina Franca,  e de tantas outras Pretas presentes na nossa vida, através de suas poesias, lutas, Artes, rezas…

…e saudar também as nossas filhas e filhos que farão a luta continuar…

… enfim este 8 de março é diferente porque estamos presentes sendo presenças, continuando a luta e abrindo os caminhos…

Axé de Luz

 Taunusstein Wehen, Alemanha, 08 de Março de 2024

Na madrugada de um dia que chegou com o brilho encantante do sol…

Uma resposta para “Março das Mulheres*: “Enfim 8 de Março de 2024” // Rejane Maria Stuntebeck”.

  1. Avatar de domniktagliarini1986
    domniktagliarini1986

    nices!! “Sambópera Woy”na Cultne TV

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