A palavra-colônia que a história me impusera a escrever
letras-promessa descumprida de pertencimento
Dilema…
Inventar a minha língua? Recolonizá-las?
Não!! Eu quero com elas atravessar fronteiras de pernas próprias
Olharei para elas cara a cara
Senti-las.
Reinventá-las
E também a mim mesma.
Sim!
Vou colocá-las para dançar,
assim como mortes as quais quero presentear meu borí-alegria
E dou a essas letras a minha cara preta…
e a voz dos calados…
dos que chegam
aos gritos e cantos.
Este fragmento do poema “XI” foi escrito pela autora durante sua estadia em uma clínica psicossomática (Tagesklinik) na Alemanha, em um contexto de migração e reconstrução subjetiva. É uma escrita que nasce do corpo em crise, mas também do desejo de reexistir poeticamente entre culturas. O texto faz parte da performance “Corpus d’Água”, de Barbara Luci Carvalho, uma obra que investiga a memória, a ancestralidade e os atravessamentos da diáspora.
Ao ser traduzido para o alemão e publicado no portal literário “Textor”(https://textor.online/de/texte-detailseite/xi-gedicht-von-betania-ramos-schroeder/?search_highlighter=betania+ramos+schr%C3%B6der) , o poema atravessa fronteiras linguísticas e culturais, ampliando sua potência intercultural. Nele, a autora tece uma reflexão íntima sobre o desafio de encontrar uma linguagem própria dentro da estrutura de uma língua colonial — reinventando sentidos, quebrando silêncios e criando um território poético entre línguas e mundos.






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